10. CULTURA 8.5.13

1. TELEVISO - EU VI UM BRASIL NA TEV
2. LIVROS - DOM JOO DO RIO
3. LIVROS - O MAIOR FALSRIO DO MUNDO
4. EM CARTAZ  CINEMA - MEZZO COMEDIANTE, MEZZO GOLPISTA
5. EM CARTAZ  MSICA - O CANTO LIVRE DE NARA
6. EM CARTAZ  LIVROS - A VIDA PR-DIGITAL
7. EM CARTAZ  SHOW - EM CLIMA DE CABAR
8. EM CARTAZ  ARTE - BBLIA EM CORES
9. EM CARTAZ  AGENDA - FESTIVAL VARILUX/VIK MUNIZ/O CASAMENTO
10. ARTES VISUAIS - MUSEU DA CIDADE
11. ARTES VISUAIS - TODOS OS CAMINHOS LEVAM A NOVA YORK

1. TELEVISO - EU VI UM BRASIL NA TEV
A crescente exibio de programas brasileiros nos canais estrangeiros pagos estimula as produtoras nacionais, aquece o mercado audiovisual e deve movimentar anualmente cerca de R$ 400 milhes

Conhea, em vdeo, algumas das produes que abriram caminho para essa nova onda de sries, filmes e documentrios feitos no Pas:

Quase todas as vezes que o Estado intervm e tenta regrar o mercado do entretenimento e da produo audiovisual, fixando cotas de exibio obrigatria de produtos nacionais, tem-se muita polmica terica sobre a liberdade de atuao, crticas que escondem interesses meramente financeiros e pouco resultado prtico para o pblico no que diz respeito  qualidade da programao. O Brasil vive agora, no entanto, uma situao completamente inversa  e para melhor. A chamada Lei da Tev Paga, promulgada pelo governo federal e que a princpio parecia que despencaria no mercado feito um mssil, na verdade calou como luva a nova realidade que envolve os canais abertos e fechados  a crescente conquista, por parte das produtoras brasileiras, de horrios de exibio na tev paga. A nova lei d um passo alm ao determinar que alguns perodos de transmisso tm de se encaixar no chamado horrio nobre (entre seis da tarde e meia-noite).

P DIREITO - "Contos do Edgar", exibido pela Fox, registrou a maior audincia das sries brasileiras no canal

Houve reclamao,  claro. Mas  inegvel que as produes nacionais apresentam atualmente alta qualidade e contra tal fato no h argumento, diz o produtor Luiz Noronha, diretor de ncleo da produtora Conspirao. Se ouviu-se chiado nos canais fechados, tambm o pblico estranhou, uma vez que, tradicionalmente, canal aberto  para programa brasileiro e canal pago  para programa estrangeiro  at porque  pago. Ocorre, porm, que o lado factual da qualidade tcnica brasileira  qual Noronha se refere tem-se reforado nos ltimos tempos atravs de prmios trazidos para o Pas, e ambas as partes (pblico e emissoras) viram que a nova onda leva a porto seguro. A prpria Conspirao, hoje com 28 projetos, foi ganhadora do Emmy, o Oscar da tev, com a srie da Rede Globo A Mulher Invisvel. Do lado da tev fechada, nunca se vira o fenmeno que ocorreu com a Fox: ela atingiu o topo no ranking de audincia dos canais pagos, segundo o Ibope, com a brasileirssima srie 9 mm, sobre o trabalho de policiais. Essa experincia quebrou velhos paradigmas em todas as direes, inclusive no pblico, que, ao pagar pela assinatura do canal, s assistia com bons olhos quilo que vinha de fora, diz o vice-presidente de programao e contedo da Fox International Channels Brasil. O mercado comprovou que os produtos nacionais, desde que tenham bom padro, possuem relevncia s empresas e atraem o telespectador.

DESAFIO - Em "O Infiltrado", do History, jornalista se passa por pastor, lutador de MMA e segurana

Com o advento da regulamentao que acomodou de vez um mercado no qual as melancias j se ajeitavam com o prprio balanar da carroa, para se trazer para os dias atuais uma frase que se popularizou h tanto tempo  quando o incipiente cinema falado disputava fatias com o cinema mudo , alvissareiros nmeros vieram  tela. A Agncia Nacional de Cinema (Ancine), por exemplo, estima que a produo audiovisual passe a gerar anualmente cerca de R$ 400 milhes. Nos ltimos meses, o nmero de filiados na Associao Brasileira de Produtores Independentes de Televiso (Abpitv) cresceu 57,8%. Somente em So Paulo, onde se contavam 80 produtoras associadas  entidade, agora se contabilizam 129  uma escalada de 61,25%. Antes mesmo da regulamentao, j se notava movimentao no mercado de tev por assinatura, diz o presidente da Abpitv, Marco Altberg. H poucos anos, nos bares que renem profissionais dessa rea, sobrava gente com o cotovelo no balco, copo cheio e bolso vazio, dizendo-se dono de grandes ideias, mas lamentando a falta de vagas para trabalhar. Hoje, adeus, balco do botequim. J se nota carncia de profissionais, diz o presidente-executivo da produtora Mixer, Hugo Janeba. Estamos trazendo profissionais do Exterior para preencher as lacunas. Reao em cadeia, a participao cada vez maior do Brasil nos canais fechados reflete no panorama da formao profissional  formam-se mais tcnicos de operao de cmeras, atores, diretores e, sobretudo, roteiristas. Isso mesmo, roteiristas que antes se limitavam aos papos cabea com o diploma sobrando na mo. Para se ter uma ideia, no ano passado o curso de audiovisual na Universidade de So Paulo ficou entre os dez mais concorridos no vestibular, com 35,80 candidatos por vaga. Ainda no campo do ensino, nos primeiros quatro meses deste ano, a RioFilme, instituio ligada  Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, abriu 14 cursos tcnicos (somente o da USP  curso superior) com 550 vagas. Tambm em 2013, j passa de 280 o nmero de produes brasileiras a serem exibidas em canais internacionais  nada mal, em janeiro de 2012 existiam 56 produes.

LINDAS MULHERES - "O Negcio"  a prxima atrao da HBO. Conta a vida de trs garotas de programa

Est-se fazendo de tudo: de sries a programas de lifestyle, de jornalismo  animao. E, importante, muito desse tudo  agora produzido no mais meio c meio l, mas, sim, com formato e caractersticas daquilo que tem endereo certo e nico: os canais fechados. Vale destacar, entre as atraes, Agora Sim, sitcom sobre uma agncia de publicitrios que ir ao ar no Sony; O Negcio, drama abordando a vida de prostitutas de alto luxo, a ser exibido na HBO; O Infiltrado, em que o jornalista Fred Melo Paiva revela facetas da realidade, atrao do History; e Se Eu Fosse Voc  A Srie, que ser visto na Fox, baseado nos filmes de estrondoso sucesso estrelados por Tony Ramos e Gloria Pires. O canal OFF, especializado em esporte e ecologia, abrir espao para 20 estreias de produes brasileiras. Temos de buscar o telespectador, conquistar assinantes, com uma linguagem mais ousada, diz Andra Barata Ribeiro, uma das executivas mais influentes nesse setor, segundo a revista Forbes, e fundadora da produtora O2. Em tempo:  justamente ao trabalho da O2 que o canal Fox deve a conquista da maior pontuao de audincia entre as estreias nacionais de 2013 com um episdio especial de Contos do Edgar. O programa virou srie mesmo com um protagonista que jamais pisara em grandes emissoras  Marco Andrade. Bom para a brasileira O2, bom para o canal estrangeiro Fox e, melhor ainda, para todo o pblico.


2. LIVROS - DOM JOO DO RIO
Em cartas inditas, o cronista carioca mostra como defendia os portugueses no incio do sculo passado, poca em que tal atitude era tida como antinacionalista
Michel Alecrim

Ter simpatia por artistas portugueses era ainda considerado uma posio antinacionalista no incio do sculo passado, quase 100 anos depois da Independncia. Mesmo assim, o escritor carioca Joo do Rio (1881-1921) se lixava para a opinio corrente e fazia questo de manter relaes cordiais com intelectuais lusitanos. Entre eles estava o poeta Joo de Barros, a quem saudou em uma carta: A nossa amizade rutila sobre os oceanos. Esse desprezo pela xenofobia reinante, somado ao fato de sempre ter sido visto por parte da intelectualidade como um escritor das ruas, teria sido um dos motivos que levaram ao ostracismo a obra do cronista nas dcadas posteriores. Ela est sendo agora contextualizada em um livro que rene justamente a correspondncia indita que ele manteve com amigos da terrinha: Cartas de Joo do Rio a Joo de Barros e Carlos Malheiro Dias (Funarte), organizado pela pesquisadora Cristiane Dvila.

PUNIO - Defesa de Portugal foi um dos motivos que levaram o autor ao ostracismo

Joo do Rio pode ser lido hoje como um exemplo de incorreo  ou ento, de politicamente incorreto. As cartas lanam luz sobre um lado desconhecido do que chamava de misria sentimental: a paixo platnica por algumas brilhantes mulheres de seu tempo. Alm de ir contra o senso comum, a lngua afiada do cronista no poupava os poderosos: chamava o ento presidente Epitcio Pessoa de idiota e de grupinho miservel os detratores da revista Atlntida, que ele a todo custo mantinha em circulao. O seu maior opositor era o jornalista e escritor mineiro Antnio Torres (1885-1934), que integrava o movimento nativista Ao Social Nacionalista  coisa que desaguaria no integralismo,  claro. Para irritao do cronista, ele condenava toda influncia lusa plantada desde a colonizao. 

Desmascarando a mesma viso no pensamento corrente que apostava em outro destino para o Brasil, caso tivesse sido colonizado pela Frana ou Inglaterra, Joo do Rio remava contra a mar. Tenho sido insultado em todos os tons. Eu sou o Bolo-Pacha, vendido aos portugueses, escreve numa carta datada de 1920, comparando o tratamento que recebia dos inimigos  condenao  poca de um famoso traidor francs. Se aqui se ofendiam os portugueses,  certo que tambm em Portugal se destratavam os brasileiros. Joo do Rio registrou isso: A em Portugal passaram a descompor todos os brasileiros, chamando-nos de macacos e dizendo que nos civilizaram.


3. LIVROS - O MAIOR FALSRIO DO MUNDO
Livro conta a trajetria do pintor alemo Wolfgang Beltracchi, que trapaceou museus, galerias, casas de leiles e colecionadores, provocando um rombo de US$ 45 milhes no mercado de arte
Ivan Claudio

A histria da arte registra a atuao de falsrios que poderiam ser qualificados de pintores muito talentosos. Mas nenhum deles se compara em astcia e ousadia ao alemo Wolfgang Beltracchi, 62 anos, que cumpre pena de priso em Colnia. Ele carrega o ttulo de maior trambiqueiro das telas, no porque reproduzia  perfeio o estilo de mestres da pintura  isso todo bom falsrio faz. Beltracchi superava seus pares porque enganava no somente os colecionadores desinformados, mas tambm celebridades, especialistas, museus, galerias de renome e casas de leiles do porte da Christies e da Sothebys. Numa s cartada, provocou um rombo no mercado 
de US$ 45 milhes. Sua trajetria de ex-hippie, bon vivant e vigarista  contada no livro LAffaire Beltracchi (Editions Jacqueline Chambon), dos jornalistas Stefan Koldehoff e Tobias Timm. A obra est provocando barulho na Frana por jogar tinta fresca na reputao de galerias respeitveis e no nome de estudiosos como Werner Spies, ex-diretor do Centre Georges Pompidou.

A astcia de Beltracchi, cujo pai era restaurador e o iniciou nos segredos de pigmentos e cores,  que ele no falsificava pintores clebres como Pablo Picasso ou Vincent van Gogh. Preferiu se passar por Georges Braque, Fernand Lger, Max Ernst e Heinrich Campendonk, expressionista considerado degenerado pelos nazistas que ele ajudou a resgatar. Ao especializar-se no modernismo do incio do sculo passado, o falsrio tinha acesso mais fcil a tintas, telas e molduras fabricadas nessa poca e podia, tambm, estudar a fundo as tcnicas utilizadas. Outra esperteza: Beltracchi no copiava obras existentes. Ele tinha o cuidado de pesquisar o catlogo raisonn do artista-alvo, com toda a sua produo, e s executar obras desaparecidas, que nem os especialistas vivos conheciam  e isso segundo os temas preferidos do pintor. A chance de ser desmascarado, ento, caa pela metade. Tudo perfeito. Tela pronta, entra a ousadia. Para vender suas obras-primas, o alemo ia atrs de autenticao dos mais respeitados experts.  quando entra em cena a sua comparsa, Helene Beltracchi, de quem pegou o sobrenome  o de nascena  Fischer.

Valendo-se da linhagem dos avs maternos de Helene e de um amigo DJ que se apresentava como conde, o casal criou duas colees fictcias  Jgers e Knops  de onde vinham as obras. Mais ousadia: Helene e Beltracchi diziam que elas haviam pertencido a um grande galerista judeu, Alfred Flechtheim, que teve de fugir da Alemanha em 1933 e cujo acervo era tido como desaparecido em razo do confisco nazista. Dessa forma, quando trabalhos como Floresta 2, de Max Ernst, e Barco em Collioure, de Andr Derain, chegaram ao mercado, foi uma festa. A obra de Ernst, por exemplo, foi tida como autntica por Werner Spies e atingiu a cifra de US$ 7 milhes, um assombro. Seu comprador foi o magnata da imprensa francesa Daniel Filipacchi, do grupo Hachette. Outro nome famoso que comprou gato por lebre foi o ator Steve Martin: pagou US$ 900 mil pela tela Paisagem com Cavalos, de Campendonk. Tudo ia bem, com vendas astronmicas, aquisies de carssimas propriedades na Cte DAzur e no norte da Alemanha (sua manso na cidade de Freiburg est  venda por US$ 5,2 milhes) e festas mil. At que algo saiu errado. Uma galeria no deu certificado ao leo Quadro Vermelho com Cavalos, de Campendonk, comprada em 2006 por um consrcio malta. A empresa desconfiou e decidiu submeter a obra a um laboratrio qumico.

Em meio s tintas usadas havia traos de branco de titnio, de fabricao recente, e no dos anos 1910, suposta data da tela. 
Para conseguir uma pena menor, Beltracchi confessou ter criado 14 obras falsas  pegou sete anos de cadeia e a sua mulher, cinco. Os autores do livro afirmam, no entanto, que existem mais de 70 telas sob suspeita. Em entrevista  revista alem Der Spiegel, o falsrio disse que se passou por mais de 55 mestres da pintura e que sua inteno, ao fazer isso, era melhor-los. Comeou aos 14 anos, ao copiar uma obra da fase azul de Picasso, tornando-a mais alegre. No caso de A Floresta 2, os elogios o envaideceram. Ao ver a tela, a viva de Max Ernst disse que era a mais bela obra j feita pelo marido. J o comprador, Filipacchi, queria mant-la na parede de seu apartamento nova-iorquino, mesmo sabendo-a falsa.


4. EM CARTAZ  CINEMA - MEZZO COMEDIANTE, MEZZO GOLPISTA
por Ivan Claudio e Aina Pinto

O ttulo brasileiro do filme Reality: A Grande Iluso, do diretor italiano Matteo Garrone, deixa claro o paradoxo de seu enredo: o que era para 
ser real no passa de uma farsa. Optando por uma comdia aps o violento Gomorra, Garrone retrata a trajetria de Luciano (Aniello Arena), um peixeiro que ganha a vida aplicando pequenos golpes. Piadista nato, tambm faz esquetes de humor para deleite dos amigos e familiares. So eles que o convencem a participar de um reality show para ganhar algum dinheiro, numa histria que resgata a tradio cmica do cinema italiano.


5. EM CARTAZ  MSICA - O CANTO LIVRE DE NARA
A onda de cantoras eclticas parece ser um fenmeno atual, mas j havia sido prenunciado por Nara Leo
por Ivan Claudio e Aina Pinto

A onda de cantoras eclticas parece ser um fenmeno atual, mas j havia sido prenunciado por Nara Leo, contemplada agora com uma caixa de CDs cobrindo o incio de sua carreira. Em um mesmo disco (como o que levou seu nome em 1968), Nara gravou Caetano Veloso, Heitor Villa-Lobos e Ernesto Nazareth. Com a fama de musa da bossa nova, ela tambm deu voz a samba do morro e hits tropicalistas. O que a difere das cantoras atuais  que Nara no fazia isso gratuitamente  tinha um projeto de resgate de compositores e de revelao de outros mais jovens, trabalho parecido com o de Marisa Monte, por exemplo. Com 13 discos de carreira e um CD de raridades, a caixa inclui os registros dos espetculos Opinio, 5 na Bossa e Liberdade, Liberdade.

+5 gravaes clssicas de Nara Leo
DIZ QUE FUI POR A
Samba de autoria de Z Keti e Hortncio Rocha, presente em seu disco de estreia, de 1964 (foto)

OPINIO 
Outra composio de Z Keti, deu nome ao histrico show marcado por canes de protesto

A BANDA 
De Chico Buarque, venceu o II Festival da Record em 1966, consagrando o seu autor. Est no disco Manh de Liberdade

LINDONEIA 
Bolero encomendado a Caetano Veloso, se inspira na tela de Rubens Gerchmann. Faixa do lbum Nara Leo, de 1968

UM CHORINHO CHAMADO ODEON 
A composio  de Ernesto Nazareth, mas a letra foi feita por Vinicius de Moraes, a pedido de Nara. Est no disco de 1968


6. EM CARTAZ  LIVROS - A VIDA PR-DIGITAL
por Ivan Claudio e Aina Pinto
Na preparao do filme O Futuro, a cineasta e escritora Miranda July fez entrevistas com pessoas que vendiam objetos por meio de um jornal gratuito. As conversas, acrescidas de fotos e comentrios, esto reunidas em O Escolhido foi Voc (Companhia das Letras). Embora apenas Joe, um vendedor de cartes de Natal, tenha virado personagem do filme, o livro sobrevive como um misto de literatura e relato pessoal, revelando um universo em extino  o pr-digital.


7. EM CARTAZ  SHOW - EM CLIMA DE CABAR
por Ivan Claudio e Aina Pinto
Considerado um dos melhores discos do cantor nova-iorquino Rufus Wainwright, Out of the Game  a base dos dois nicos shows que ele apresenta no Brasil (So Paulo, HSBC Brasil, quinta-feira 9; Porto Alegre, Teatro do Bourbon Country, sexta-feira 10). Produzidas por Mark Ronson, responsvel pela sonoridade soul dos trabalhos de Amy Winehouse, as novas canes so uma homenagem de Wainwright ao pop dos anos 1970, mas com as influncias da pera e das canes de cabar. A turn j teve mais de 100 apresentaes pelo mundo.


8. EM CARTAZ  ARTE - BBLIA EM CORES
por Ivan Claudio e Aina Pinto
Exibidas em conjunto pela ltima vez h cinco anos, as sries Bblica e Retirantes, do pintor paulista Candido Portinari, podero ser vistas em uma sala especial no Museu de Arte de So Paulo (no h data para encerramento da mostra). A primeira srie rene oito telas de passagens do Novo e Velho Testamento, como As Trombetas de Jeric; a segunda  composta por cinco painis que ilustram o drama da seca. Feitas na dcada de 1940, as obras respondem  crescente politizao do artista e no escondem a influncia de estilos e nomes que tiveram a mesma preocupao social: os muralistas mexicanos e Pablo Picasso, com sua Guernica.


9. EM CARTAZ  AGENDA - FESTIVAL VARILUX/VIK MUNIZ/O CASAMENTO
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio e Aina Pinto

FESTIVAL VARILUX
(So Paulo, Rio de Janeiro e mais 43 cidades, at 16/5)
A mostra de cinema francs exibir 15 filmes inditos. Entre os convidados, Monica Bellucci e o cineasta Benot Jacquot

VIK MUNIZ
(Galeria Nara Roessler, So Paulo, at 11/5)
Na exposio Espelhos de Papel o artista refaz conhecidas obras da pintura usando pginas de revistas

O CASAMENTO
(Tuca, So Paulo, at 30/6)
Baseado no romance homnimo de Nelson Rodrigues, o espetculo mostra um rico industrial que entra em crise s vsperas do matrimnio de sua filha


10. ARTES VISUAIS - MUSEU DA CIDADE
Em exposio individual, Jaime Prades parte de um impulso acumulativo para chegar a um pensamento sinttico sobre a relao entre o homem, a cultura e a natureza
por Paula Alzugaray

Osso  Jaime Prades/ Espao Cultural Instituto Cervantes, SP/ at 8/6

Diz a lenda e conta o artista Jaime Prades que o Tupinod foi o primeiro coletivo de arte urbana do Brasil. Quando participou da fase mais ativa do grupo, entre 1984 e 1989, Prades bebia das fontes da antropofagia modernista, das performances de Flvio de Carvalho e das intervenes urbanas de Alex Vallauri  artista atualmente revisitado em retrospectiva no Museu de Arte Moderna de So Paulo. Naquele momento, Prades criou a srie As Mquinas, mural de propores monumentais que, num belo dia de 1987, surgiu em uma das paredes do tnel da avenida Paulista e acabou impactando sobre vrias geraes de artistas urbanos. Parte dessa histria est contada no percurso de obras expostas em Osso, no Espao Cultural Instituto Cervantes, em So Paulo. Porm, mais que um recorte de momentos significativos de seus 30 anos de trabalho, a exposio abre novo ciclo na obra de Jaime Prades. Fiquei muitos anos preso ao desenho, mas hoje me descubro um escultor, diz o artista.

A exposio divide-se, portanto, em dois tempos. A primeira sala exibe uma srie de obras recentes que ostentam duas intenes de trabalho: o acmulo e a sntese. A instalao Terra, Ar, gua, Fogo  constituda por trs totens compostos de acmulo de matrias orgnicas (minerais) e objetos descartados. Terra  feito de antigas portas e janelas, encontradas em demolies, organizadas sobre um monte de terra; Ar  feito de um agrupamento de escapamentos de carro descartados, sobre um monte de carvo vegetal; e gua  feito de gales de gua mineral sobre um monte de areia. Essa instalao evoca a memria dos materiais e das vidas que passaram por eles. So objetos impregnados de humanidade, diz Jaime Prades.

ARQUEOLOGIA - Obras da srie "Ossrio" (topo e abaixo) articulam objetos descartados e instalao "Ar" (acima), feita com escapamentos de carros e carvo vegetal

Diante dos totens feitos de acmulo, uma parede recebe sete objetos construdos com um sentido muito apurado de sntese. A srie Ossrio articula objetos achados na rua, de forma a construir frases e pensamentos. Assim, dois talheres associados a um osso de boi e uma p enferrujada, por exemplo, constroem a ideia de um ciclo de cultivo e nutrio  ou nascimento, vida e morte. Outros objetos chegam a expressar uma vontade de catalogar, indexar ou diagramar os elementos, como se construssem um arquivo iconogrfico da vida urbana. A sntese , portanto, a tnica preponderante.

O osso  o que fica, afirma ele, referindo-se ao elemento que d ttulo  exposio. 
O segundo tempo da mostra  composto por obras realizadas desde os anos 1980. Esto ali telas que representam personagens que emergem do lixo e telas cobertas por uma malha de inscries que cobriram tambm os muros de So Paulo. Nessas caligrafias, encontramos a mesma propenso ao pensamento sinttico com que o artista faz sua escultura recente. A exposio se desenha, portanto, como uma arqueologia da prpria obra de Jaime Prades.


11. ARTES VISUAIS - TODOS OS CAMINHOS LEVAM A NOVA YORK
Frieze Art Fair New York/ Randall's Island Park, NY/ de 10 a 13/5
por Paula Alzugaray

Nova York  um dos centros nevrlgicos do mundo da arte. Ns amamos feiras, mas tambm estamos empenhados em fazer com que as pessoas visitem galerias e museus. Assim Amanda Sharp, diretora da Frieze Art Fair e publisher da revista Frieze explica por que a clebre feira de arte contempornea londrina abriu filial em Nova York e no em Miami, Hong Kong ou mesmo So Paulo. De fato, desde meados do sculo XX, Nova York  o corao do mercado ocidental. Capital da arte e de seu mercado, atrai artistas e galeristas de todo o mundo, como ocorreu recentemente com a galeria inglesa David Zwirner e a francesa Emmanuel Perrotin, que abriram portas na Big Apple. Agora  a vez da feira de arte Frieze, criada em 2003 no Regents Park, em Londres, e que em 2012 festejou uma dcada de atividade abrindo uma filial nova-iorquina.

PONTO DE ENCONTRO - Frieze New York acontece em parque

A segunda edio da Frieze New York abre com uma programao cultural sofisticada que supera metas comerciais. Este ano, o programa de projetos da feira  mais emocionante do que nunca, e um verdadeiro destaque ser a recriao do restaurante FOOD, que Gordon Matta Clark fundou em 1971 com a artista Carol Godden, conta Amanda. Com curadoria de Cecilia Alemani, que  tambm curadora do programa de arte contempornea do High Line nova-iorquino, o Frieze Projects  um dos braos da programao que faz da feira hoje um grande evento cultural.

A feira tem visitao garantida. Alm do grande nmero de importantes colecionadores que vivem na cidade, atrai outros de todas as Amricas, desde Los Angeles at Chicago e Cidade do Mxico e, por que no, de So Paulo. Ns j tivemos uma boa indicao de que as pessoas esto viajando da Europa para c. Nova York  um destino atraente, de modo que torna o nosso trabalho mais fcil!, diz Amanda (leia entrevista completa em select.art.br). Entre as 180 galerias do mundo, participam as brasileiras Fortes Vilaa, A Gentil Carioca e Vermelho. Da exposio de esculturas no Randalls Park participa o brasileiro Saint Clair Cemin, ao lado de Paul McCarthy, Tom Friedman, Pae White e Franz West, entre outros.

